
Teresa não tinha pressa. Sabia que o tempo não esperava porque não podia. Ela, sim.
Blog altamente prejudicial à saúde mental e insusceptível de criar dependência. Nota: não se garante total protecção contra a veia poética do blogger. É até possível que surja um ou outro poema. Afectuosamente, Mito

Há duas formas de procurar a felicidade: imitar os deuses e vencer o destino ou aceitar a existência, tentando fruir os seus prazeres e minimizar as suas agruras. Na primeira via, está a busca do poder, a criação, o rito, a marginalidade e tantas outras vertigens; à segunda, pertencem todos os gestos do quotidiano, filhos da herança cultural da sobrevivência e das páginas do livro pessoal de cada um. Mas, como, nestas coisas, não é tudo a preto e branco: as duas vias, na verdade, entrelaçam-se, fundem-se e refundem-se, numa espiral contínua que é a história dos indivíduos e dos povos. No entanto, não parece haver qualquer equilíbrio entre estas duas forças, pois a sua acção e manifestação se processam de modo desproporcionado e instável, ora uma sobrepujando a outra, ora complementando-se, ora alternando-se.
Estranho e patético exercício (cómico mesmo, se visto por um hipotético deus), em que consciência e inconsciência se negam mutuamente, se atacam e fogem ao mesmo tempo.
Estas vias de alienação não passam de ferramentas do humano, para assobiar para o lado, para escapar por entre os pingos da chuva, para esquecer o horror da existência e a inevitabilidade da morte. Ou para sentir a vertigem do abismo.
Provar o gosto da morte ou a fusão no cosmos, perseguindo o esquecimento de si mesmo.
Alinho o lápis pelo canto inferior da base para copos. Alinho o corta-unhas pelo bico do lápis. Duma ponta do corta-unhas, traço uma linha imaginária num ângulo de 45 graus com o comprimento igual ao dobro da altura do lápis. Nesse ponto deposito uma sandes de queijo. Calculo uma bissectriz no pão e cravo-lhe um palito com uma azeitona. Na sombra da oliva, ergo um copo de vinho cheio com o número de gotas igual ao total de semanas que vivi até hoje.
Estou numa biblioteca pública. Nova e com excelentes condições, embora ainda com um acervo em crescimento. Muito espaço, muito claridade, óptima arquitectura, arejada e dialogante, diligentes e afáveis funcionários. Bons sofás em frente de óptimos equipamentos de audiovisual para a fruição de música e cinema. E muitos computadores, com ligação à Internet, claro. Muitos utentes, na maioria, jovens.
Vim ver-te. É raro vir cá abaixo. Estás na mesma posição, espreguiçado no afago das silvas. Cá abaixo não chega o vento cortante nem o sol arranha com tanta força. Estás na mesma. Talvez diferente de quando estavas lá em cima, no alto da colina, quando o vento te eriçava os musgos e o sol te castigava as costas, enquanto eu dormia aninhado na minha ignorância, enquanto os medos germinavam. Estás na mesma. Talvez mais calado. Sempre cultivaste o silêncio. As palavras sabiam-te a fel. No silêncio estendeste os teus utensílios. Com o silêncio fabricaste as tuas planícies.
Todos conhecemos as tradicionais editorias dos órgãos de comunicação social: política, sociedade, desporto, internacional, etc., cujos chefes são os editores, responsáveis pela orientação editorial do tratamento jornalístico de cada vertente e, sobretudo, pela determinação do “agenda setting”, ou seja, da escolha dos assuntos a tratar e da forma de os tratar.
O diploma conhecido por “Lei da televisão” (Lei n.º 32/2003, de 22 de Agosto) consagra no seu artigo 24.º alguns limites à liberdade de informação, que, no fundo, se prendem com a dignidade humana. Por exemplo, vejamos o que se estipula nos pontos 1 e 2 (os sublinhados são meus):
Manhã cedo. Orvalho a vestir toda a vegetação rasteira. Verdes mortiços competindo com cinzentos baços na paleta. O reino da água invadindo os terrenos agrícolas. Uma batalha pacífica e gloriosa aos primeiros raios de sol.