terça-feira, novembro 08, 2005

Personificação?

Às vezes, divirto-me a pensar em como nos enganamos por tudo ver do nosso pequeno e estreito ponto de vista humano. Em como a nossa perspectiva, necessariamente redutora, nos pode obnubilar o entendimento. Por exemplo, a Personificação. Sim, a bendita e consagrada Personificação (nunca mais largo esta adjectivação queirosiana).
Sempre que se atribui a animais características que se nos afiguram humanas, está de se lhe chamar Personificação. Partimos da assunção de que essas características são humanas e de que as projectamos, por via de muita imaginação ou magnânima generosidade, noutros seres do espectro animal. Inúmeras vezes, me ocorre que muito se poderá ter passado inversamente.

Curioso por natureza, o homem primitivo observava em seu redor, com maior ou menor perspicácia. Quanto não terá aprendido com outros animais? Terá aprendido a armazenar comida ou a cultivar com as formigas? Terá aprendido a caçar em grupo com as hienas? Terá aprendido a tecer com essas habilidosas aves que dão pelo nome de tecelões? Terá aprendido a abrir mexilhões com as lontras?

O meu cão tem dez anos. Durante muitos anos, estive longe dele e quase o negligenciei quando tive melhor oportunidade de o aconchegar. Hoje, vive de novo comigo e mostra a mesma docilidade, a mesma disponibilidade e o mesmo afecto EXCLUSIVO que me dedicou desde o primeiro momento em que o recolhi e lhe prodigalizei um lar. Todos os dias me prova que as palavras podem estar a mais e ser de menos.
De uma coisa tenho a certeza, não foi de dentro de si que nasceu, não foi em si que a encontrou, foi no cão que o homem aprendeu a lealdade!

1 comentário:

MIguel Sá disse...

O blog tem informação actual e está facilmente navegável. A informação para além de ser actual está bem escolhida pela sua importância. Parabéns! Agora vou continuar a investiga-lo...